Bem - vindos queridos mequetrefes!!!


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Bendita es tu

Em noite fria o calor foi avassalador
Meus olhos entrelaçaram os seus
A neblina sumiu pra eu sumi nela
Morri em mil e acordei em ti ali

Falar dela, é viver sonhando
Meu possível amor de uma noite
Que o vento frio me trouxe
E internalizou nossas bocas

Seu cheiro embriagador voraz
Penetrou no meu intimo frio
A quentura do teu corpo em mim
Acendeu meus desejos de outrora

Minhas carnes gritaram ansiosas
Porque foi tudo em vão segundos
Que ficaram presos até o momento instante
Tua saliva aqui está em mergulho lascivo

Implorei dias e noites aquele êxtase
Na viela do quarto que acolheu o encontro
Sumiram todos na volúpia do Odilon
Fumamos uma a outra em um beijo único

Entrego-te minhas brasas em chamas
Assino ser dona de tuas garras em risco
É  assim que almejo-te flor de lótus
Nossos líquidos em ebulição carnal

Minha carne tremeu um dia
A ti estou entregue em algum lugar
Fica e dorme em mim aqui
Bendita es tu mulher. Amém!

Silmara Silva

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Augusto

Comi a lavagem que o diabo vomitou
Amarguei a bebida ontem no beco
As negras fumando vapor de chão
Pisei feio no dia de ontem
Acabou que nem consumi
Os trechos de augusto
Queimou lá versos pro povo
E eu perdida na sarjeta das falas
As línguas dentro das línguas
Pontuando as minhas reticências
Ah!Augusto salva este povo
Da ignorância alheia
E eu dando uma de mundana
Colhi foi cuspe de bocas desaforadas
Que no auge das interrogações
Lambiam minhas idéias
E recolhiam minhas vergonhas
Dentro do meu vocabulário fajuto
Augusto arregaçou um parágrafo
E disse: tu surges em meio às prostitutas
Em meio aos bêbados,
Em meio às negras de dentes largos
No intro dos intelectuais
Mostra teu mundo pro povo
Mostra tua carne de rua
Não te mostra minúscula
Abre teus desabafos
Entranha no meio das coisas
Ah!Augusto me ama!
Mas tenho o saber das damas
De sapatos vermelhos em cetim
Bebo puta vil
O cálice da mediocridade
Augusto deixa comer
O desmundo profundo
A mariposa chegou
Veja só o meu mundo.

Silmara Silva

domingo, 26 de dezembro de 2010

Desterro


Desterro lavandeira preta
Preta é a cor da roupa suja
Suja é a cor da água
Água pra lavar roupa suja
Suja é minha boca
Boca fala pra essas putas
Que o preconceito a água suja
Suja o preconceito
Preconceito com a Desterro
Desterro lavandeira
Lavandeira preta
Preta é a cor da tua culpa.

Silmara Silva

domingo, 19 de dezembro de 2010

Metrô

Te matei em outros rostos no metrô
Na velocidade da máquina vaguei
Louca entre os vagões e nada
Te sumi como o ar some no vento

Sofro não porque quero...
Mais porque necessito para criar em mim
Os últimos suspiros na hora chegada
Vejo!Porém não exergo a dimensão da minha dor

Que a força que tenho
Não me sufoquem os dias
Que pensei está só
Te matei no metrô e assim no fim

E no ponto alto de minhas idéias
Teu rosto comeu os trilhos
Que em mim andavam retrô
Em que vagão ficou meu rosto?

Silmara Silva

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Memórias Diárias

Eu não fumo revistas.
Fumo dinheiro
Fumo suores
Fumo as dores
Fumo ardente
Fumo meus órgãos
Fumo o lixo
Fumo as referências
Fumo o tédio
Fumo o ódio
Fumo as encruzilhadas
Fumo animal
Fumo as letras
Fumo mental
Fumo a sócio-idade
Fumo todos
Fumo o fumo
Fumo o meu fim no fumo
Da revista que não fumei.

Silmara Silva

S.O.C.I.E.D.A.D.E

                            Tu!podre sociedade
                        que exala a fria hipocrisia
                            pelo canto da boca
                 manifestando tua histeria anarquista
                           corrói minhas vísceras
                   atinge meu sangue em uma fervura
       que implode meus membros presos em tua mente
                            S.O.C.I.E.D.A.D.E
                             Tu não és nada!


silmara silva

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Memórias Diárias

Não me alimento poeticamente faz alguns punhados de meses... Vou arriscar dedilhar versos para ela...Ela quem?Afirmo: Nestes dias tão coloridos, embriagados de desejos...Estou vivendo tão...!Será que está na minha mente?Não!Está na minha corrente sangüínea agora, está nos meus poros, às sensações já percorrem todo o meu ser... Ah! Meu ser mais intimo sente palpitações ao encostar mais perto, e minhas mãos suadas implora o toque voraz!Ela é dona de lábios carnudos encarnados...  De um sorriso lilás, tem uma delicadeza única, e brinca com a vida, Anda descalça... Um amor pra cuidar... Cuidar dela... Cuidar do jardim... um jardim que é ela!Confesso que minha emoção tomou um novo sentir, Naquele instante ficamos somente eu e ela, até chegar ao auge do primeiro toque, seus lábios fervendo entrelaçaram os meus de leve... Precisei morrer alguns minutos para saber que estava viva, e que tudo era real dentro do meu imaginário mais lúcido. Minhas pernas sumiram, minha respiração ficou ofegante... Enfim nossos olhares se encontraram pela primeira vez, e até agora não se perderam de vista. O hoje, o agora, o momento, os minutos, os segundos, as flores, o suor, as pedras, o êxtase... Tu és um poema encarnado nas minhas entrelinhas... Você sempre alma... você é toda alma...
                                                                                                                                                                
Silmara Silva