Bem - vindos queridos mequetrefes!!!


domingo, 21 de agosto de 2011

O Artista na Dor


Um brinde aos goles rasgados que respiram o vapor da minha encenação. Alguém me escuta?Alguém me interpreta?Sabe quem eu sou?Sinto ao longe minha respiração. Bom!Quero embriagar-me nessa desventura de ser eu mesma, desnuda-me!Enxugarei o meu lúdico no guardanapo que tudo escuta e que nada sabe. Danço os passos de uma guerra derramando o suor do meu ensaio e do prazer. Olhem todos para cá, vejam!Este é o meu, o seu, o nosso, exponho a todos: Aqui lhes entrego o sangue avermelhado do artista que só chora de tanto rir da desgraça do pão seco de todos os dias. Será preciso corromper-me?O ciclo está se fechando, baila o ator, atua a dançarina, canta o artista plástico. E geme de dor o artista de rua, da lua, do palco, dos becos, de dentro de suas casas, do céu e do mar. Não venho aqui pedir piedade, venho aqui pedir que nos olhem com fé, que nos beije sem traição, que nos abrace com força, que nos aplaudem com sinceridade, que nos paguem se tiverem consciência. Que nossa arte faça parte da cesta básica e vos alimente a alma e nos livre da assombração do nada.
Silmara Silva

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

... Pensamentos Diários ...

"A morte me puxa para dentro da garrafa...me afogo no alcóol...embebedo a morte e mato-a com o fogo do fósforo...jogo as cinzas no rio perto de casa".

Silmara Silva

sábado, 9 de julho de 2011

Tempo


E se nasci na época errada meus antepassados que me perdoem não
Mas grandes revoluções internas se criaram nas linhas do tempo aqui
E nas grandes navegações de minhas aventuras eu tenho dito lutei ali
Amordacei as labaredas de lágrimas que inundaram os oceanos azuis

Sobrevivência em terra de mentes fechadas a glória é para poucos sei
E as vielas de conversas abafadas transitam em meio às saias largas ai
Entorpecer no porão a bebida quente da modernidade do homem viril
Bebem grosseiramente as palavras de alguém que não se mostra vivo

De repente o silêncio daquela noite sorriu para as estrelas nostálgicas
Todos os corpos sujos audaciosos se fizeram de mercador tempestivos
A vida ali é apenas farol que guia os tripulantes desse navio de sonhos
Não se nasci mil vezes se nasci para o nada e para a existência de ser

Houve se um sonoro apito ao longe do corpo do mar dançando assim
As sinaleiras nos avisam que à hora do retorno é chegado em terra não
Há uma divisão entre o crepúsculo e o amanhecer nasceu sem tempo fui
Libertem-se todos os viventes de todos os tempos recuados da história.

Silmara silva

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desconfigurado


Apagaram as linhas do meu erro destino
Deformaram minha dor em sofrimentos
E o que me dói é saber o que eu já sabia
Eu já estava envolvida no meio das curvas

Caos que comem a solidão adormecida
Bocas que dizem tudo que não pensam
Destroem a essência da pura inocência
Corta a fragilidade da força que não há

Os olhos que intimidam são os mesmos
Chorar para rir e não para se libertar sim
É tão raso meu vaso do lado do peito é
E tudo já é poeira diante dos meus pés

Petrificou a saliva da secura da palavra
E os versos que conduzem minha vida
Apagaram se no ar impuro das virgens
A vida cega que não ver o vão do finito.

Silmara Silva

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Precipício

O mundo está vivendo na escuridão do mundo
Viver no mundo é viver imundo na sujeira alheia
Todas as crias já não se criam até o fim do início
Pecam na cruz sugando a vida que desmundou

E da essência desse mundo carente a boca fé
Mata a prece do corpo fértil que reage a glória
Julgamos a ressurreição do mundo no silêncio
O mundo dos pensamentos move nossa oração

Velhos terços novos de minha labuta de mulher
Corrompe as veias e lava minhas impurezas feias
O mundo nos dá os precipícios e facilidades em ter
Devora as almas famintas de perdão e desapego

Ajoelha nos becos imundos a reza dos homens
Implora tuas vontades mais pecadoras e fiéis
Não esvazia tua alma que de sede vomita fel
Nasce um mundo criado e destruído pela fé.

Silmara Silva

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Aranhas [...]


Enveneno tuas teias embebidas de fome e frio no breu da corte vil
E na languidez sublime me comeste o cérebro ruivante sufocar-me!
De dentro do beco sujo de origens que te tece de linhas bucólicas
Agarra-te nas sombras de corpos que desfiam na sede sem ar

Tempera tua dança em pernas afinadas de temperamento carnal
Escorre nas paredes úmidas tua ironia ríspida e encaixa no nada
Lateja a gosma do teu amanhecido veneno nas entrelinhas acorda
Escova os buracos, as alcovas, as entradas sem entradas de saída

Lentamente de impactos súbitos envolve minha mente anacróticos
Entrelaçados de vultos aracnofobicos sujeitos a aversão do toque
Medo tridimensional digerido irracionalmente em estado de choque
Bloqueia meu corpo de movimentos expressivos e me prende em ti

E na luta de milhares de pernas dançando em fios finos gritantes
Enrosco-me no gosto de suas pernas abertas em fogo soluçantes
Aranhas de meu eu nascidas das entranhas das virgens fêmeas
Dorme na insanidade de tuas teias e seja dança oferecida a pó.

Silmara Silva

(Escrito especialmente aos bailarinos Nayara Fabricia e Zé Carlos).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Maus Quereres

Algo me mata de fome aqui dentro
E eu não sei comer isso de tempero forte
Os cantos de minha casa já não suportam
Minhas crises de ânsia apodrecem as paredes

Alguém bebeu meu encontro poético
Comeram o endereço da esquina
Breve indigestão da rua que se perdeu
Não voei ao longo do que não vi

Só buscava ver além do outro além
Morri de fome comendo a espera
Do tempo que não veio me ver
Chorei dentro de todos sim

Com que máscara vou sair
Se na face não sei mentir
Sobrevivo de dentro do vácuo
A sorte minha senhora algoz.

Silmara Silva